“Dar um tempo”

Damos um tempo porque somos apaixonados pelas ilusões.

Freud dizia que as ilusões são formadas por desejos.

Damos um tempo quando desejamos continuar algo que claramente já acabou.

Damos um tempo quando desejamos não nos responsabilizar por nossos desejos.

Damos um tempo pois nos recusamos admitir que o nosso tempo com alguém acabou.

Somos apaixonados pelas ilusões.

Preferimos acreditar que o tempo vai ajudar, mas bem lá no fundo nós sabemos que o tempo sozinho não faz nada, além de passar.

Não é o relógio que vai ajudar.

Damos um tempo porque nos recusamos a acreditar que algo que foi tão bom pode acabar.

Damos um tempo porque resistimos ao fim.

Somos apaixonados pelas ilusões.

Nos apegamos as boas lembranças e dizemos a nós mesmos que tudo vai voltar a ser como era antes.

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Análise do filme Sete minutos depois da meia noite

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O filme aborda o doloroso trabalho de luto e vai fundo nessa temática ao acompanhar a história de Conor (atuação impecável de Lewis MacDougall) um menino que está perdendo sua mãe para um câncer. O filme começa com um sonho (pesadelo) onde o chão está desmoronando. Temos o costume de usar a expressão ficar sem chão quando passamos por alguma situação de extrema dificuldade. Como a morte, por exemplo.

O luto envolve emoções ambivalentes e o filme explora isso com muita beleza o tempo todo. Raiva, culpa, abandono, tristeza, agressividade, revolta, negação…

O filme apresenta o processo de luto em todas as suas fases: Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação.

Perder alguém lentamente é exaustivo e Continue lendo “Análise do filme Sete minutos depois da meia noite”

A ficha vai caindo…

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Antigamente o orelhão funcionava com fichas, quando a ligação era completada dava pra ouvir o barulho da ficha caindo. Hoje a gente diz que a ficha caiu quando chegamos a uma compreensão interna. E assim como no antigo orelhão, quando a ficha cai significa que uma conexão foi feita dentro da gente e isso faz um barulho danado.

A ficha vai caindo. O tempo vai passando e você percebe que aquilo estava ali o tempo todo e você se recusava a enxergar. A ficha vai caindo e você vai lembrando dos sinais que haviam, e se dá conta de que o que aconteceu não era nenhuma surpresa. A ficha vai caindo e você percebe que aquilo que era para ser reciproco se tornou unilateral. A ficha vai caindo e você descobre que sabia que sabia. Bem lá no fundo, a gente sempre sabe quando algo não vai bem. Sabe quando o sentimento é duvidoso, sabe quando as palavras são suspeitas, sabe quando as atitudes denunciam aquilo que a boca não consegue falar.

A ficha vai caindo e nos damos conta que as ilusões Continue lendo “A ficha vai caindo…”

Manifestações do inconsciente – Parte 4: Sintoma

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Dos conteúdos inconscientes se originam diversas manifestações de sofrimento psíquico, que se manifestam através dos sintomas, como TOC, ansiedade, fobia, angustia, depressão, entre outros.
O sintoma é uma mensagem do inconsciente. A psicanalise propõe que todo sintoma tem um sentido, que diz algo sobre a singularidade do sujeito.
Freud aponta no decorrer de sua obra que a origem do sintoma está relacionada com desejos recalcados que não puderam se manifestar por não serem socialmente aceitos. Portanto o sintoma de alguém sempre terá ligação com sua cultura e época em que vive, bem como com a história do sujeito e da sua família.
O sintoma é a expressão de um conflito psíquico, ou melhor dizendo Continue lendo “Manifestações do inconsciente – Parte 4: Sintoma”

Decepção dos pais em relação aos filhos: Ajustando as expectativas

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O processo de criação e educação dos filhos envolve expectativas e idealizações por parte dos pais que, na maior parte das vezes, não se concretizam ao longo do tempo. Como lidar com isso? Como enfrentar as decepções inerentes à constatação de que nossos filhos não são *exatamente* aquilo que sonhamos ou que planejamos para eles?

Segundo Freud, encontramos na atitude dos pais afetuosos em relação aos filhos uma revivescência do seu próprio narcisismo, ou seja, do amor por si mesmo. Os pais lhes atribuem todas as perfeições, e esperam que satisfaçam seus desejos e sonhos não realizados: os filhos não passarão pelas mesmas dificuldades pelas quais eles próprios passaram. Serão o “centro e o âmago da criação, Sua Majestade o Bebê ”, como os pais se imaginavam quando muito pequenos. A própria imortalidade é alcançada por meio dos filhos, já que são sentidos como os continuadores do legado dos pais.

Diante disso podemos compreender, em parte, os motivos para os sentimentos de decepção em relação ao filho. Projetam-se nele expectativas que correspondem a projetos pessoais dos pais e que muitas vezes não levam em conta a Continue lendo “Decepção dos pais em relação aos filhos: Ajustando as expectativas”

Manifestações do inconsciente – Parte 3: Sonhos

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De acordo com Freud “O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”. O sonho é a realização de um desejo recalcado, que por ter sido expulso da consciência só pode se manifestar se for disfarçado. Portanto só é possível reconhecer o desejo expresso no sonho através da interpretação, que é feita no processo de análise a partir das associações do sonhador.

Para a Psicanálise todo sonho se apresenta como um enigma, uma linguagem cifrada que exige decifração.

O sonho é formado por imagens que visam representar palavras.

COMO NO JOGO REBUS Continue lendo “Manifestações do inconsciente – Parte 3: Sonhos”

Manifestações do inconsciente – Parte 2: Chiste

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Originada do alemão Witz, que significa “gracejo”. A palavra chiste é encontrada na obra de Freud, que o define como uma espécie de válvula de escape do inconsciente, um meio de dizer, em tom de brincadeira, aquilo que verdadeiramente pensa. O chiste é então uma forma de dizer o que se quer, porém sem ser direto, com isso evitando alguma forma de julgamento, afinal, o que foi dito não era sério, era só uma brincadeira, por isso acaba sendo aceito socialmente e ao mesmo tempo a pessoa sente um alívio interior por poder externalizar seu pensamento. O riso é uma forma de liberar tensão.
O chiste não é uma diversão elaborada, ele é espontâneo, no entanto fazer um chiste requer certa esperteza linguística. Quando ouvimos um comentário do qual achamos graça é porque damos a ele um sentido diferente daquele que realmente tem.
Para se produzir o chiste é necessário que se forme um laço social com o outro. O chiste é para o outro, e para produzir seu efeito de riso é preciso que o outro entenda o que foi dito. O chiste gera prazer, depois da experiência prazerosa tentamos replicar o prazer, por isso passamos para frente, contando para o outro.
De acordo com Freud, os chistes se dividem Continue lendo “Manifestações do inconsciente – Parte 2: Chiste”

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