Manifestações do inconsciente – Parte 2: Chiste

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Originada do alemão Witz, que significa “gracejo”. A palavra chiste é encontrada na obra de Freud, que o define como uma espécie de válvula de escape do inconsciente, um meio de dizer, em tom de brincadeira, aquilo que verdadeiramente pensa. O chiste é então uma forma de dizer o que se quer, porém sem ser direto, com isso evitando alguma forma de julgamento, afinal, o que foi dito não era sério, era só uma brincadeira, por isso acaba sendo aceito socialmente e ao mesmo tempo a pessoa sente um alívio interior por poder externalizar seu pensamento. O riso é uma forma de liberar tensão.
O chiste não é uma diversão elaborada, ele é espontâneo, no entanto fazer um chiste requer certa esperteza linguística. Quando ouvimos um comentário do qual achamos graça é porque damos a ele um sentido diferente daquele que realmente tem.
Para se produzir o chiste é necessário que se forme um laço social com o outro. O chiste é para o outro, e para produzir seu efeito de riso é preciso que o outro entenda o que foi dito. O chiste gera prazer, depois da experiência prazerosa tentamos replicar o prazer, por isso passamos para frente, contando para o outro.
De acordo com Freud, os chistes se dividem, do ponto de vista de seus propósitos, em inocentes e tendenciosos. O chiste inocente é quase sempre responsável apenas pelo riso moderado, causado principalmente pelo seu conteúdo intelectual. O humor faz parte do narcisismo. Ao fazer um chiste, a pessoa busca atenção e prestígio do outro. Freud diz que os que fazem chistes como este agem como o pavão: pretendem seduzir exibindo sua inteligência.
O chiste tendencioso é capaz de causar uma explosão de riso, pois possui fontes de prazer que os inocentes não podem acessar, como os conteúdos sexuais, por exemplo. Os chistes, principalmente os tendenciosos, são uma forma de liberar pensamentos inibidos, por conta disso, muitas vezes podem ser hostis, como os de conteúdos preconceituosos.
O chiste é formador de laço social pois convoca o outro a participar, já que requer pelo menos três pessoas: 1) quem faz o chiste; 2) o objeto da hostilidade; 3) a qual se cumpre o objetivo do chiste de produzir prazer.
Os chistes abrem caminho para conhecermos os conteúdos reprimidos de uma pessoa e também de uma sociedade. Se rir é liberar tensão, aquilo que é motivo de riso denuncia a realidade interna de uma pessoa e é um meio de conhecer os tabus de uma cultura. O chiste é uma forma de enfrentar a repressão social e individual, pois através deles os conteúdos encontram uma forma indireta de virem à tona. O chiste é uma permissão para tocar em conteúdos que de outra forma seria difícil de se entrar em contato, e se é difícil de entrar em contato, significa que isso é da ordem do inconsciente.

 

Amanda Garcia Kreyci CRP 06/130484

Atenção: As informações contidas neste site têm caráter informativo. Não substituem o processo de psicoterapia e não devem ser utilizadas para realizar auto-diagnóstico.

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