Manifestações do inconsciente – Parte 1: Ato falho

ATO FALHO

Quem nunca estranhou dizer uma palavra fora de contexto? Ter um sonho sem pé nem cabeça? Quem nunca disse algo engraçado ou riu por alguém dizer? Quem já se viu tento comportamentos que causam sofrimento ou repetindo atitudes apesar do empenho em modificá-las?
A partir da construção da teoria Psicanalítica, Freud nos mostra que grande parte do nosso funcionamento mental é inconsciente, e que apesar de não termos total acesso, é o inconsciente que nos determina, sendo responsável por grande parte de nossos atos e sentimentos.
Todo acontecimento inconsciente é dotado de sentido e pode ser descoberto por meio do método psicanalítico.
As produções do inconsciente são tentativas de trazer o material recalcado à tona. Esses conteúdos seriam insuportáveis para a consciência em seu estado original, portanto para que possam se manifestar procuram caminhos mais aceitáveis, de forma a se tornarem menos impactantes para a consciência.
No inconsciente há conteúdos em desacordo com a nossa moral, que é moldada pelas noções adquiridas a partir da necessidade de socialização. Freud aponta a importância do papel desempenhado pela limitação imposta pela civilização e seu valor como força capaz de excluir ideias da consciência. Essas ideias e afetos afastados da consciência sofrem alterações por meio de mecanismos criados pelo inconsciente, para que a ideia se torne aceitável e possa atingir a consciência e se manifestar através dos sonhos, atos falhos, chistes, esquecimentos e sintomas.
Com a proposta de que as pessoas conheçam um pouco mais dos fenômenos do inconsciente e da teoria da Psicanalise criei uma serie que pretende de forma sucinta apresentar uma breve ilustração das diversas formas que o inconsciente se manifesta no nosso cotidiano. A série será dividida em cinco parte, para que não fique muito denso. Cada tópico apresentará uma síntese de uma forma de manifestação do inconsciente. Essa é a parte 1. Para saber mais acompanhe os próximos textos.

 

Ato falho

Ato falho é quando temos a intenção de dizer algo, mas “sem querer” outra coisa escapa.
Que coisa é essa? A verdade. No ato falho você efetivamente diz o que pensa.
Freud no livro “Sobre a psicopatologia da vida cotidiana” aponta que até os erros mais comuns teriam um sentido oculto, que revela o que está reprimido e dá pistas de quem somos e do que pensamos.
No ato falho há uma interferência no que foi planejado dizer. O mais interessante do ato falho é descobrir que quando estamos falhando, na verdade, estamos acertando. O ato falho surge de uma verdade alojada no inconsciente. Dito de outro modo o ato falho é o famoso: Foi sem querer querendo.  Foi sem querer (conscientemente falando) mas foi querendo (inconscientemente falando).
No ato falho você tenta falar alguma coisa, mas acaba dizendo aquilo que realmente pensa. Se consideramos que a intenção era dizer uma coisa e a pessoa disse outra, de fato foi uma falha, mas se considerarmos que, o que se disse é de fato o que se queria dizer, então não tem nada de falho nisso.
Num exemplo simples do livro, um senhor estava conversando com uma jovem sobre como a cidade de Berlim estava bonita com os preparativos para a Páscoa, e disse: “viu a loja Wertheim? Está toda decotada, oh, quis dizer decorada!”. Geralmente quando isso acontece corrigimos a fala sem nos preocuparmos em investigar o que há por trás. Freud nos mostra que os atos falhos, dos mais simples aos mais complexos são fruto de processos inconscientes e que podem ser descobertos.
Por motivos sociais não podemos dizer tudo o que queremos, porém as vezes nosso guardião interno falha e o inconsciente se faz ouvir através do ato falho, que como vimos, de falho não tem nada.
O ato falho não aparece somente na fala, mas circula também em outros lugares de linguagem, como na leitura, na escrita, nos esquecimentos. Quando, por exemplo, lemos uma palavra e em seguida percebemos que a palavra escrita era outra, ou quando escrevemos uma palavra errada “sem querer”, apesar de sabermos a escrita correta.
Os esquecimentos ficarão para outro texto. Até mais!

 

 

Amanda Garcia Kreyci CRP 06/130484

Atenção: As informações contidas neste site têm caráter informativo. Não substituem o processo de psicoterapia e não devem ser utilizadas para realizar auto-diagnóstico.

Agende uma sessão ou entre em contato para mais informações: (19) 997428871

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Site hospedado por WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: