fomeemocional

Você come demais quando está nervoso, ansioso, estressado ou triste? Alimenta-se mesmo quando não está com fome?

Quando não temos consciência de como as emoções agem em nossas vidas e quais as reações e padrões que as sustentam, criamos formas inconscientes de extravasar. A fome emocional é um exemplo disso, descontamos na comida, pois encontramos nela uma válvula de escape.

Você tem fome de quê?

A fome é uma necessidade orgânica e a comida é a energia que mantém o corpo funcionando. No entanto, as pessoas não comem só para se alimentar, a refeição também tem uma função social de comunhão, as pessoas se reúnem para vivenciar e compartilhar momentos de prazer: confraternização, comemoração, homenagens e agradecimentos. Usamos a comida inclusive para demonstrar que nos preocupamos com alguém.
Comer é sem dúvida uma fonte de prazer, a questão é que devemos fazer isso com equilíbrio.
A fome emocional está relacionada com uma necessidade psicológica, muitas pessoas confundem essa necessidade com a fome. E quando não se conseguem distinguir qual é o estímulo pra comer, a comida entra para preencher vazios.
Após comer a tendência é ficar satisfeito, mas algumas vezes mesmo após comer a pessoa continua a se sentir insatisfeita, como se ainda estivesse faltando alguma coisa.

Toda vez que você ataca a geladeira está realmente com fome?

A ansiedade geralmente é associada ao comportamento de comer exageradamente. Como já dito em outro texto (clique aqui para ler) a ansiedade nos coloca em alerta e está ligada principalmente a acontecimentos futuros.
Quando estamos ansiosos, tendemos a ficar mais agitado, como se o corpo pedisse por movimento, tanto é que temos o costuma de ficar balançando a perna, roendo a unha, andando de um lado pro outro.

Cada pessoa reage de um jeito diante de diferentes emoções. Algumas pessoas ao invés de ficar balançando a perna, tendem a de ir para cozinha, abrir a geladeira e comer. Com isso, a necessidade de movimento do corpo é atendida, só que nesse caso a comida é usada para obter o relaxamento. Tanto a atitude de comer como a de roer as unhas trás um alívio momentâneo, mas aquilo que estava incomodando não foi de fato resolvido, então o desconforto logo voltará, bem como a necessidade de comer.  Ao continuar se sentindo inquieta a pessoa vai até a cozinha novamente, abre a geladeira e come de novo.
Comer pode até ser um meio para descarregar a tensão, o problema é que a sensação de alívio, logo dá lugar aos sentimentos de culpa e arrependimento. Há grandes chances desse comportamento voltar a acontecer em situações futuras, gerando assim um ciclo vicioso, no qual a pessoa recorre a comida sempre que sente dificuldade em lidar com certas emoções.
Como você já deve ter percebido até aqui, existem diferenças entre a fome emocional (vontade de comer) e a fisiológica (fome). Na fome emocional ao invés da ingestão alimentar se iniciar em resposta a um sinal físico do organismo, ela acontece em resposta a uma emoção. A fome emocional aparece de repente, enquanto que a fome fisiológica surge gradualmente. Geralmente a fome emocional está associada a um tipo de alimento específico, como o chocolate, por exemplo. Na fome emocional a pessoa continua a se alimentar, mesmo quando já está saciada. Na alimentação emocional há uma grande tendência em ingerir alimentos mais calóricos, como carboidratos e açúcar. Se a pessoa sem perceber acabar se distraindo com outras coisas a fome emocional passa, a fisiológica não.
Essa forma de lidar com a dor gera graves consequências para a saúde psicológica e física da pessoa, como depressão, ansiedade patológica, problemas de autoestima, excesso de peso, obesidade, diabetes, etc.
A nossa mente conversa com a gente através de metáforas e nem sempre paramos para procurar entender o que ela está tentando dizer.
O aumento de peso muitas vezes está em função de alguma coisa, a gordura pode ser um ganho secundário.
Exemplo: Uma pessoa com dificuldade de se relacionar pode inconscientemente, ou seja, sem perceber, usar o excesso de peso para evitar situações sociais. Adotando discursos do tipo: “eu estou muito gorda para sair; nenhuma roupa fica boa em mim; tenho vergonha de sair na rua; não tenho amigos ou namorado, pois estou acima do peso”.
Nesse caso a pessoa usa o excesso de peso como justificativa para evitar situações que lhe causam pavor, com isso ela se livra do convívio social que tanto teme, e de quebra não corre o risco de ter que lidar com as consequências dessas interações (opinião dos outros). No exemplo dado a gordura simbolicamente atua como “proteção”.
Inconscientemente a comida está associada ao amor. Isso porque já nos primeiros meses de vidas somos alimentados por nossas mães, o que faz com que desde muito cedo alimento e amor mantenham uma profunda ligação.
Aposto que você tem pelo menos uma lembrança relacionada à comida. Aquele bolo gostoso de cenoura que só sua vó sabe fazer, ou aquela lasanha da sua mãe que ninguém faz igual. Quando você viaja aposto que volta morrendo de saudade da comida de casa.
“Aprendemos” desde pequenos que ao comer nos sentimos seguros, amados e protegidos, essas sensações nos acompanharão pelo resto da vida.

Após ler isso fica fácil de entender porque as pessoas buscam preencher com o alimento a carência emocional.
Às vezes a pessoa está triste, precisando de colo, de um ombro amigo, mas ao não se dar conta disso pode interpretar erroneamente e ir procurar a comida para suprir sua necessidade.
Quando alguém deseja uma comida específica, como aquele prato que lembra a infância, muitas vezes só está em busca daquela sensação acolhedora, que está associada a alguma lembrança.

Não há nada de errado em se sentir triste, carente, ansioso. São emoções humanas extremamente comuns, não se deve evitá-las. Nossas emoções não devem ser “curadas”, pois fazem parte de quem somos. O ideal é não ter medo de lidar com elas, para que não se precise de subterfúgios e consiga-se buscar uma saída eficaz.
Ninguém melhor do que você mesmo para saber o quanto seu comportamento gera sofrimento. Se você se deu conta que a fome emocional está limitando sua vida, talvez seja hora de buscar ajuda para libertar a comida da responsabilidade de dar conta de suas questões emocionais. Entender suas emoções e encontrar alternativas para aliviá-las é essencial para controlar melhor seus hábitos alimentares.
Fome na alma, comida nenhuma acalma!

Amanda Garcia Kreyci CRP 06/130484

Atenção: As informações contidas neste site têm caráter informativo. Não substituem o processo de psicoterapia e não devem ser utilizadas para realizar auto-diagnóstico. 

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